Tuchê: os 60 anos do maior ponta-direita que o Campo Grande já teve

Baixinho, camisa 7 foi campeão brasileiro pelo clube e o terror de laterais

A história do Campo Grande tem personagens importantes, embora muitas vezes esquecidos pelo tempo. Não é o caso, pelo menos para seus torcedores, de um habilidoso e rápido ponta-direita que é considerado, por estes mesmos fãs, o melhor que já passou por Ítalo del Cima. Robson Ludgero de Jesus, o Tuchê, foi o maior camisa 7 a vestir preto e branco na Zona Oeste. Seus 60 anos, completados nesta sexta-feira (2), são a oportunidade para recordar as peripécias e glórias do baixinho na Rua Artur Rios, onde entra facilmente em qualquer seleção histórica de grandes jogadores.

Tuchê é cria da própria Zona Oeste. Nasceu em Padre Miguel, a 2 de fevereiro de 1958. Passou sua infância naquela localidade e não demorou a conhecer o futebol. Baixinho (nunca foi além de 1,65m de altura), recebeu o apelido em referência ao personagem "Tartaruga Touché", desenho animado bastante popular. Chegou ao Campusca ainda com 15 anos, na equipe infanto-juvenil. Galgou seus passos até os juniores (na época chamados de juvenis) e esteve ao lado de jogadores com quem brilharia no time principal mais tarde, como Pingo, Jacenir, Pirulito e Venivaldo.

A primeira oportunidade na equipe profissional surgiu no começo de 1979, durante o Torneio Oduvaldo Cozzi, voltado às equipes pequenas. No entanto, ele foi logo emprestado para o futebol do Espírito Santo. Primeiro, esteve no América de Linhares e, depois, no Vitória. Lá, conquistou seu primeiro título, a Copa do Presidente da Coreia do Sul. Com mais rodagem e experiência, estava pronto para retornar ao Ítalo del Cima, onde começou de vez uma trajetória de muito sucesso com a camisa preta e branca.

Tuchê foi ganhando espaço na equipe aos poucos e tornou-se titular. A velocidade e a maneira aguda como se lançava ao ataque e sobre os marcadores virou marca registrada. Os gols eram poucos: o camisa 7 era mais afeito às jogadas para deixar os companheiros desmarcados. Seu melhor parceiro de ataque, aliás, foi Luisinho das Arábias, centroavante eficiente e que se tornaria o maior artilheiro do Campusca em todos os tempos. Com ele e Pingo na armação das jogadas, ajudou a garantir vitórias preciosas para o clube.

Peça-chave na maior glória Em 1981, Tuchê teve atuações destacadas em jogos contra Vasco e Botafogo no Campeonato Carioca, inclusive marcando diante do Alvinegro, no Ítalo. Mas a temporada de 1982 é que o marcou como a melhor de sua carreira. No primeiro semestre, foi peça fundamental na conquista da Taça de Prata, a segunda divisão do futebol brasileiro. Fez gols em decisões de mata-mata contra River (PI) e Uberaba (MG) e ajudou a decidir o título, contra o CSA (AL). Após perder o primeiro jogo da final, o Campo Grande precisava vencer as outras duas partidas para poder conquistar o campeonato. Foi quando o ponta-direita entrou em cena.

imageA segunda partida, em Campo Grande, estava empatada em 1 a 1. Perto do fim do jogo, Tuchê aproveitou um rebote da defesa para chutar de primeira, no alto, marcando um golaço: era a vitória decisiva do Campusca, que forçava um terceiro jogo para decidir a Taça de Prata. Nele, os alvinegros ganharam por 3 a 0 e conquistaram o título mais importante de sua história. Era a coroação de Tuchê como ídolo em um ano que quase começou longe do Ítalo: ele chegou a figurar numa lista de dispensas no começo da temporada, mas acabou renovando e permanecendo. Sábia decisão da diretoria.

No Carioca, o Campo Grande continuou surpreendendo positivamente e Tuchê virou pedra no sapato de grandes marcadores, como o rubro-negro Júnior. Naquele ano, a equipe da Zona Oeste venceu o Flamengo pela primeira vez na História (1 a 0, em 16 de outubro) e terminou a Taça Rio com um inédito terceiro lugar. Em 1983, sempre com Tuchê à direita do ataque, o Campo Grande desfilou em campos importantes do futebol, como o Olímpico, de Porto Alegre, e o Pacaembu, em São Paulo. As atuações do ponteiro destro chamaram atenção, mas o Campusca conseguiu manter o craque apesar das atuações destacadas.

Apesar disso, Tuchê começava a perder espaço dentro da equipe para Carlos Antônio. Isto fez com que tivesse menos atuações em seu último ano pelo Campo Grande, o de 1984. Naquele Carioca, o time foi mal e ficou nas últimas posições. A história de Robson no clube, porém, já estava escrita: 140 jogos e 11 gols, com direito a um título nacional. Após deixar a Zona Oeste, jogou o Campeonato Carioca de 1985 pelo Volta Redonda. Em seguida, rodou por São José (SP), Brasil de Pelotas (RS), Ubiratan MS), Dourados (MS), Paysandu (PA) e Brusque (SC), onde se aposentou.

Hoje, Tuchê vive em Brusque, onde fixou residência após o fim da carreira e até trabalhou como funcionário público. Em Campo Grande, no entanto, sua idolatria permanece intacta. Figurinha carimbada em eventos de veteranos e comemorações pelo título de 1982, ele é um dos ídolos que só o Campo Grande pode se orgulhar de ter – e não precisa dividir com ninguém. O maior ponta-direita que já passou pelo Ítalo del Cima.

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